Como criar anúncios cinematográficos com IA
Fiz um comercial de óleo de girassol com estética de propaganda de perfume. Tudo com IA. Tudo no Endless. Isto é o que aprendi sobre dirigir em vez de promptar.

Alguns meses atrás eu quis testar uma coisa: fazer um comercial que parecesse um anúncio de perfume - abstrato, etéreo, mais clima do que mensagem - mas para um produto que não tem nada a ver com esse mundo. Óleo de girassol.
O resultado foi um vídeo de 30 segundos com uma mulher caminhando por um campo ao entardecer, uma casa pegando fogo ao fundo e uma garrafa de óleo de girassol como plano final. Tudo gerado com IA. Tudo montado como se fosse cinema.
O problema não é o modelo
O fluxo que 90% das pessoas seguem: abrir um gerador de vídeo, escrever um prompt, gerar, se decepcionar, ajustar duas palavras, repetir.
Um diretor não chega no set e diz "filma alguma coisa bonita". Ele chega com um moodboard, personagens definidos, um shot list e uma estratégia de áudio. Com IA é exatamente igual. A diferença entre um anúncio que parece gerado e um que parece dirigido está em tudo o que você faz antes de gerar.
A imagem-mãe
Antes de montar a sequência inteira, você precisa de uma imagem que defina tudo: tom visual, paleta, luz, clima. Eu chamo de imagem-mãe. Tudo o que você gerar depois parte dela.
No caso do óleo, iterei com referências de um moodboard até chegar em uma imagem que tinha exatamente o que eu procurava: uma mulher num campo, luz de entardecer, uma textura cinematográfica. Essa imagem e o prompt que a gerou viraram a âncora do projeto inteiro.
Hoje eu usaria o Nano Banana Pro com as referências do moodboard e seria mais simples. Esse é um padrão que você vai ver se repetir: os melhores modelos para cada tarefa mudam o tempo todo. O que importa é testar dois ou três e comparar - o canvas deixa você ver todos lado a lado.
Montar o storyboard
Arraste a imagem-mãe para o canvas, selecione e use o Remix - porque você parte de uma imagem e quer chegar em outra imagem. Descreva o que precisa.
A partir da mulher no campo fui pedindo variações: a mesma mulher de mais longe, um plano em que dá para ver que existe uma casa no campo, a casa pegando fogo, um close-up de uma bolsa na grama. Cada imagem nova usava a imagem-mãe como referência para manter a consistência.
O loop
O storyboard não se monta só com imagens. À medida que os planos iam ficando bons, eu ia convertendo para vídeo. E de vez em quando, dentro de um vídeo gerado, aparecia um frame melhor do que qualquer imagem que eu tinha promptado.
No Endless, quando você reproduz um vídeo tem um botão de câmera - screenshot do frame atual como uma imagem que você pode usar. O fluxo acabou virando: imagem-mãe → Remix para novos planos → Convert para vídeo → extrair os frames bons → usar como novas referências → Remix para mais planos. Ida e volta constante.
Inserir o produto
O produto tinha que aparecer no final. Peguei um close-up de uma bolsa na grama e usei o Remix para trocá-la pela garrafa de óleo. Depois converti para vídeo.
Pensar como diretor
Um anúncio não é um plano. É uma sequência de planos que conta algo em 15 ou 30 segundos. Se você não pensar a sequência antes de gerar, vai terminar com um monte de clipes que não conectam.
No caso do óleo, a narrativa era: uma mulher num campo, em um plano calmo e etéreo. O plano se abre e revela que, no mesmo campo, tem uma casa pegando fogo. Da calma ao caos. E no final, o produto.
A sequência na prática: establishing shot do campo → plano médio da mulher caminhando → a casa aparece → a casa começa a arder → close-up do fogo → insert da garrafa de óleo iluminada pelo fogo.
Animar
Selecione a imagem, Convert para vídeo, escolha o modelo. O Kling 3.0 é o mais completo hoje: atuação crível, movimento estável, bom seguimento de prompt. Mas é lento. Kling 2.6 e Seedance são alternativas mais rápidas.
No óleo usei o Seedance. Os planos são bem estáticos - a mulher caminha devagar, o fogo se mexe, mas a câmera não faz nada ousado. Hoje eu faria planos com mais movimento: um tracking seguindo a mulher, um crane up revelando o fogo. Os modelos de agora permitem.
O prompt de vídeo não precisa repetir o que já está na imagem. A imagem já codifica o estilo, os personagens, a iluminação. Especifique só movimento de câmera e ações.
O Kling deixa você definir como o vídeo começa e como termina (start/last frame). Isso é essencial em anúncios: você quer que o último frame seja o seu produto, o seu logo, a sua composição final.
Áudio
A música do anúncio foi a primeira coisa que escolhi. Antes de gerar um único frame eu já sabia qual música e qual era o timing. Isso definiu a duração dos planos, onde entravam os cortes, o ritmo. Se você começa pela música, os planos já saem com a duração certa desde o início.
O anúncio não tem diálogo. E não é por acaso. Quando fiz, os modelos de lipsync não davam resultados críveis. Então readequei a ideia: uma peça puramente visual com música. A limitação virou decisão criativa. Metade de dirigir com IA é entender o que os modelos fazem bem hoje e desenhar em volta do que eles não fazem.
Hoje a história seria outra. Modelos como Creatify Aurora e Fabric geram vídeo com lipsync crível a partir de uma imagem estática e um áudio (Convert). E como tenho o projeto inteiro salvo no canvas, refazer ou expandir uma ideia antiga é só abrir o canvas e testar com os modelos novos.
O pipeline
Estética. Moodboard com referências. Junte imagens, itere sem pressão.
Imagem-mãe. Itere até encontrar a imagem e o prompt que definem tudo.
Storyboard. Remix de imagem para imagem partindo da imagem-mãe. O loop: gerar planos → converter para vídeo → extrair os frames bons → usar como novas referências.
Animação. Convert para vídeo. Movimento de câmera + ações. Start/end frames para controlar o ponto de chegada.
Áudio. Escolha a música antes de gerar. "No music" nos prompts para controlar a trilha na edição.
Reciclar. O Endless guarda os inputs de cada geração. Quando sai um modelo novo, volte ao canvas, rode os planos antigos de novo e compare. As ideias não vencem, os modelos sim.
O que importa
O anúncio funciona não porque os modelos são bons - e são - mas porque antes de gerar um único frame já existia uma ideia, uma narrativa, uma música e uma imagem-mãe que definia tudo. Os modelos executaram. A direção foi humana.
Alguns dias atrás voltei ao canvas e rodei cada plano de novo no Kling v3. Não precisei repensar nada. O canvas tem tudo: as imagens-mãe, os prompts, os parâmetros. Só troquei o modelo e gerei outra vez. As ideias que tive meses atrás ficam melhores hoje porque a tecnologia avançou, e reciclá-las foi trivial.
As ideias não vencem. Os modelos melhoram o tempo todo e, se o seu processo estiver bem montado, cada avanço dos modelos é um avanço automático no seu trabalho anterior.
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